** I think I need a Sunrise. I'm tired of the sunset.

Se um dia eu fosse dar um conselho, eu diria a quem me perguntasse que algumas coisas são sérias demais para que se brinque. O seu coração é uma delas. Se nesse dia eu ainda fosse digna de aconselhar alguém, eu diria: Não seja arrogante ao ponto de achar que controla o incontrolável. E, se nesse mesmo dia, ainda houvesse alguém que confiasse em meus conselhos, eu diria: Não faça o que eu faço, mas ouça bem o que eu digo.

Existem vários tipos de erros nesse mundo. Eu conheço a maioria. Conheço aqueles erros que nos surpreendem, pois percebemos que estamos errando enquanto tentamos até a exaustão fazer o certo. Conheço aquele erro justificável, onde os fins justificam os meios e as vezes nós precisamos agir mal cegos pelo bem maior. Conheço o erro que nunca se confirma, pois a intenção era tão boa, a certeza tão absoluta que não permite dúvidas... as pessoas vão gritar seu erro e mesmo assim lá no seu peito você enxergará suas razões, mesmo que os outros não consigam. E o último erro que eu conheço, é justamente aquele que eu mais cometi... o erro deliberado. O tempo todo você sabe que está errado, mas continua... você sabe que está se afastando da razão, mas continua... você sabe que vai se machucar, mas continua... você sabe que é injusto, mas continua... E, como frear quando a queda já é livre? E, como poupar as pessoas que você envolveu?! Se eu pudesse, eu não criaria avalanches imaginárias que destroem de verdade... o meu e o seu coração.

E, se um dia eu conseguir lembrar disso de maneira que me permita falar, eu lhe diria pra jamais correr da sua própria vida. Jamais correr das suas verdades, jamais correr dos seus sentimentos. Não fuja do que você tem, nem negando a sua realidade e nem criando outra paralela.

As brincadeiras dão errado, os tiros saem pela culatra, a corda arrebenta do lado mais fraco, acidentes acontecem, imprevistos já gritam que não podem ser previstos, o pensamento se rende, a alma se encanta, o caldo entorna, o leite derramado não pode ser chorado, um dia é da caça o outro do caçador e você não é ninguém pra advinhar se hoje é o seu dia ou se entrou num beco sem saída.

Você pode passar a vida tentando amar alguém, pode passar a vida tentando esquecer alguém, pode passar o resto dos seus dias perdido em lembranças que agora só existem na saudade. Você pode negar quem você é, pode até negar o que você sente... Mas a cada dia existe um momento em que você estará sozinho na frente do seu espelho, e mesmo que queira, não poderá mentir mais pra você mesmo e nem esconder... Nesse momento, por pequeno que seja, sua imagem estará gritando coisas que você poderia jurar que tem sob controle e bem administradas. E então vai ser quase insuportável ser quem você é. Você se sentirá preso em sua própria pele, se sentirá sufocado mesmo que os pulmões funcionem... e vai sentir o peso... o peso de quem engana a si mesmo.

Há tantas coisas que eu gostaria de não ter feito. Há tantos arrependimentos que eu terei que acomodar no peito, apertados à um canto. Há tantos erros que eu cometi... com você, são os maiores. Mas, se você olhar bem e procurar se lembrar de tudo... vai encontrar as verdades tão nítidas como estrelas em noite limpa! Se olhar bem, vai encontrar a fronteira grosseira da verdade e da mentira. Se olhar bem, vai ver que teria sido muito mais fácil correr... Se olhar bem, vai encontrar as razões pra ficar... ficar e tentar fazer o que é certo. Se olhar bem, vai ver que ainda somos as mesmas pessoas... pois a essência não se modifica, nem para o bem e nem para o mal. Se olhar bem, vai saber que nem tudo foi assim tão negro. Se olhar bem vai lembrar de quando os olhos se acendiam e as palavras faltavam.



- Postado por: Fefa às 16:46






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